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Educando por exemplo

“pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado.” Hebreus 4:15

Toc toc toc (alguém bate à porta)

– Seu pai está aí?

– Espera um pouco!

(segundos depois)

– Ele mandou dizer que não está.

Histórias como essa podem parecer engraçadas para algumas pessoas. Em essência, elas acontecem todos os dias, em diferentes situações, com diversas famílias. Elas nos ajudam a pensar numa realidade sobre a qual queremos refletir aqui – a educação pelo exemplo.

A instrução verbal é muito importante na educação das crianças. Mas, de que vale ensinar algo verbalmente aos filhos quando na prática ensinamos o oposto? É aquela velha história: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Em minha profissão já tive a oportunidade de orientar dezenas de pais. Certa vez, um deles me procurou em meu consultório cheio. Ele tinha uma porção de queixas sobre sua filha. Acompanhei a criança durante algum tempo e depois voltei a conversar com o pai. Falei com ele sobre alguns comportamentos dela que precisavam ser trabalhados em casa para que aquelas queixas não existissem mais. O pai me respondeu: “mas essas coisas que você está dizendo eu também faço. Ela é igualzinha a mim”.

O pai tinha queixas sobre comportamentos da filha que eram na verdade uma espécie de “cópia” de seus próprios comportamentos. Então eu disse a ele que, se ele queria mudar aqueles comportamentos na filha, era importante que ele trabalhasse esses comportamentos em si mesmo também. Não adiantava brigar com a criança e reclamar dela, se tudo o que ela estava fazendo era seguir seu exemplo, afinal de contas, ele era seu pai, aquele a quem ela observava e imitava.

É muito injusto cobrar das crianças que elas ajam diferentemente dos modelos que lhe são dados. Contudo, pais são seres humanos imperfeitos e têm defeitos e maus hábitos que gostariam que seus filhos não tivessem. O que fazer então?

Primeiro, é importante reconhecer que como modelos precisamos cuidar mais com nossos comportamentos e buscar modificar aqueles que não desejamos deixar de herança para as crianças.

Alguns comportamentos nos acompanham há muito tempo, e talvez seja muito difícil mudá-los de uma hora para a outra em prol da educação dos filhos. Nesses casos em que a mudança é um pouco lenta, é importante conversar com a criança e mostrar a ela que aquele comportamento não é ideal, quais as consequências negativas de se comportar daquela maneira e quão difícil é aprender a comportar-se diferente depois que se adquire aquele hábito. Quando os pais reconhecem seus erros diante das crianças, ao contrário do que alguns pensam, eles não estão perdendo a autoridade sobre elas. Na verdade estão ensinando uma grande lição de humildade e reconhecimento de suas próprias falhas.

Jesus é o nosso grande exemplo, e para ser o nosso exemplo Ele viveu nesse mundo e foi provado como nós. Ele deseja nos ensinar diariamente a sermos como Ele é. Ele é o nosso grande educador. Que aprendamos com Ele a sermos o modelo que nossos pequenos necessitam.

Karyne Correia
Karyne Correia

Karyne Correia é mãe do Ben e madrasta da Isabela. Tem graduação e mestrado em Psicologia, formação em teoria musical, e se aventura no campo do artesanato e da costura.

1 Comentário

  1. Adriana disse:

    Muito bom ! Obrigada!

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